O Piolhito foi [à Confeitaria Peixinho]



Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu. Ia nada. Ia a caminho do Porto, mas agora que tenho a vossa atenção, digo-vos que parei em Aveiro. Foi uma paragem estudada para um breve passeio (na gíria chamada de “rapidinha”) com dois objetivos principais: almoçar e comer ovos moles. Sobre o primeiro ponto, como não me ficou na memória, não o irei descrever neste espaço – até porque não quero fazer críticas destrutivas, logo, só publico os lugares e "comidinha" que gostei. Ora, e para que fique já registado para o futuro, se determinado espaço não constar da listagem que estou a construir aqui no “berloque”, das duas uma: ou ainda não conheço, e consequentemente não escrevi, ou conheço e não gostei, logo não escrevi. Como dizia a outra, “estar vivo é o contrário de estar morto”. Mas adiante. 

O Piolhito está [a pensar nas vezes que não disse "não"]


Quantas vezes na vida, conseguimos dizer que não? Quantas vezes conseguimos soltar um verdadeiro e sentido, não? Quantas? Vá, façam-me a vontade e contem (nem que seja pelos dedos). Obviamente que não me refiro àquelas respostas lacónicas, ditas entre dentes, que apenas soltamos só para não arranjar chatices, ou como dizia Mahatma Gandhi, “meramente para agradar, ou, pior ainda, para evitar complicações”. Pergunto, em quantas situações conseguimos proferir um “não” com tal convicção, que não deixamos dúvidas nos outros interlocutores? Quantas?

O Piolhito foi [à Taverna Antiqua]

Quem me conhece, sabe que eu adoro a época medieval. Talvez porque tenha uma síndrome feudal qualquer e adore mandar (brincadeira, não tenho nada, que eu até sou um doce) ou simplesmente porque sou um bocado resistente à mudança (sou nada, até porque até uso o MBway). Bom, agora a sério, sem folguedos e focando naquilo que verdadeiramente importa: hoje trago uma experiência em Tomar (mesmo no coração da cidade) que adorei e de comida a atirar para memórias dos livros de história. Por isso, tenho que agradecer ao meu amigo Carlos Com o Nome Estranho (que é assim que está registado no meu telemóvel) que escolheu este local para jantar. 

O Piolhito viajou [até Montemor-o-Novo e ficou no L'AND Vineyards]

Já me tinham falado muito bem deste hotel. Já tinha visto fotografias em inúmeros sites e já tinha lido num blogue sobre as “sky-view suites” (cujas camas dispõem de claraboias que nos permitem adormecer sob as estrelas). Portanto, quando surgiu a oportunidade, rumei em direção a Montemor-o-Novo (como amo o Alentejo!) e até ao L’AND Vineyards, sem hesitar. Sim, já sei que é um assunto batido, mas as coisas boas da vida têm de ser partilhadas – vezes sem conta.  

O Piolhito está [revoltado]

Quando me predispus a escrever estas linhas, confesso que fiquei melindrado. Fiquei com muito medo em adicionar Bolsonaro, Manuela Moura Guedes, André Ventura e Hitler no mesmo texto, porque parece que arranquei um mau presságio, transportando-o para a realidade. Mas não sei, talvez sejam apenas fantasmas que desenho sem necessidade. Talvez seja nada. Talvez seja tudo. 

O Piolhito esteve [a pesquisar sapatos de cortiça]

Sou muito esquisito em relação a tudo, e o calçado não é exceção. Quando vou comprar alguma coisa desse segmento, meto logo defeito em tudo. A parte final do sapato não pode ser muito bicuda, o sapato não pode ser muito baixo, o sapato não pode ter um formato estranho, etc e tal.  Portanto, a escolha é sempre muito complexa e a “indecisão” é quem manda. Longe vão os tempos onde pegava nos sapatos (ténis, sapatilhas e afins) e experimentava em casa, e só aí é que verificava se gostava mesmo ou não. Se torcesse o nariz, lá tinha que ir trocar os itens no dia seguinte. É claro que agora, com as compras online, voltei um bocadinho atrás na minha evolução de “comprador-sem-experimentar-primeiro” e tenho que ter 300% de certeza do que vou comprar. Porque uma coisa é comprar na loja física e ir trocar, outra muito diferente, é pegar nas coisas e enviar pelo correio para minimizar o erro (que muitas das vezes está ligado com o facto de que os artigos “ao vivo”, são muitas vezes diferentes do que são apresentados “ao morto” virtualmente).

O Piolhito esteve [a pesquisar voos]

Ainda sou do tempo (fica sempre bem começar um texto assim, quando queremos dar uma de paternalista), que viajar por via aérea, era um privilégio dos mais abastados (ou de um grupo restrito de pessoas). Em Portugal, e para quem nasceu nas décadas de 70 e 80 do século passado, sabe, que era raro ter algum amigo ou familiar próximo que tivesse andado de avião até ao início da década de 90 – nem uma vez, quando mais repetir. Com a evolução da sociedade portuguesa, que adquiriu um maior poder de compra, e com a descida dos preços dos bilhetes, existiu uma certa democratização da "coisa". A minha estreia só ocorreu em 2006, na viagem Lisboa-Bilbau, pela Iberia. Depois, bom, depois já sabemos, apareceram as “low cost” em Portugal e foi um "ver-se-te-avias".