O Piolhito foi [à Eurovisão e gostou]


Digam o que disserem, a Eurovisão é um dos maiores espetáculos do mundo. Tendo escrito isto, não é de estranhar que este evento arraste multidões, provoque ódios ou paixões, faça circular milhões de euros e misture muita política (muita, mas muita política). E este ano não foi exceção. Tivemos politiquices, mensagens de solidariedade, “fuego”, galinhas e gatinhos do chinês, baladas, rock, muito pop, memórias, emoção nos votos até ao fim e uma montra de portugalidade.

Por cá, neste retângulo à beira-mar plantado, passámos da euforia, para a indiferença, para uma nova euforia meteórica e para um último lugar em 2018 (que na minha opinião, foi bastante injusto). Mas como em tudo na vida, por vezes estamos em cima, outras estamos em baixo. E outras vezes ainda, estamos a cantar “não sou o teu brinquedo, rapaz estúpido”. Voltemos porém, entretanto, ao sábado passado. Por volta das 15h, já estava na fila para entrar (que isto de ficar de pé, obriga a garantir um bom lugar) com paletes de estrangeiros (destacando-se os “nuestros hermanitos” que já tinham ganho “isto” tudo) e muitos excêntricos (e não daqueles que ganharam o Euromilhões, mas dos outros, daqueles que gostam de se mostrar). De notar que, tal como no supermercado, na Eurovisão há de tudo. Mesmo.

Com bilhetes para o denominado “Golden Circle” (que em português significa ficar mais perto do palco, sem tocar nos artistas, exceto se for para tirar o microfone à SuRie), esperei pacientemente (vamos acreditar que sim) 3 horas na fila (dado que as portas só abriam às 18h). Após 10 minutos da hora oficial de entrada, e de ter sido todo revistado (não fosse levar algum objeto nocivo ou uma alheira de Mirandela para a ceia), lá vou a correr um bocadinho (muito em slow motion) para garantir um bom lugar junto à grade (revivalismo dos “Momentos de Glória” do dia). Mesmo assim, quando entrei, esta já estava ocupada, pelo que me tive de contentar com um (bom) lugar junto ao separador exterior (que naquela altura estava vazio), o que me possibilitou durante o espetáculo, descansar as costas em alguns momentos - até porque com 37 anos em cima, a velhice já começa a dar sinais de existência. Ah, também deu para ficar atrás do rabo da Sílvia Alberto e aparecer na televisão – português que é português, acena sempre para uma câmara de filmar, na esperança vã que alguém veja (e não é que mamãe viu?) 

Créditos: Piolhito Nervoso

Ali, naqueles lugares (um privilégio que tenho muito que agradecer: e por isso, muito, mas muito obrigado! Mercy!), vi tudo mais perto (exceto as votações finais que eram só para quem enxergasse ao longe), até as carecas dos meus vizinhos nórdicos da frente, que aguçavam o meu engenho português para fitar estes obstáculos, de forma a não deixar que os meus 1.69 metros fossem impedimento para observar o palco (ou aquelas luzes coloridas de cozinha aquando da atuação da Suécia). Ah e aquele cheiro a queimado quando das atuações com fogo, era das minhas lindas pestanas. - é o que dá lugares em cima do acontecimento. 
Créditos: Piolhito Nervoso
No cômputo geral foi tudo excelente. Ver este tipo de espetáculo ao vivo provoca sempre mais emoção que assistir pela televisão, e há pormenores ali que não nos escapam (exceto a senhora da Finlândia que só aparece quase a meio da música – já estava a pensar que era um mito urbano ou que ela se tinha esquecido de atuar). Da organização, apresentação, e outras coisas acabadas em “ão” só posso tecer elogios e agradecer o trabalho inolvidável que fizeram. Acho que Portugal ficou orgulhoso. Pelo menos eu fiquei. Ah e Espanha também deve ter ficado considerando a quantidade de espanhóis que ali estavam. O Salvador ficou de certeza, principalmente quando deu o prémio à Netta (há quem diga que ficámos em último lugar porque levámos a “neta” errada ao concurso, mas isso agora é outra conversa).  
Créditos: Piolhito Nervoso


PS. Filomena, filha, tens jeito para a “coisa”.




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