O Piolhito foi [ao concerto dos Queen + Adam Lambert]

Confesso que sou um gajo que não gosta muito de aglomerados populacionais para assistir espetáculos e sempre que posso, fujo a isso. Mas um convite para assistir a um concerto dos Queen (mesmo sem o Freddie)… não se recusa? Certo? Tipo, é uma banda de uma geração, que consegue ser transversal a muitas outras, e sendo eu de 1980, não podia ficar alheado deste acontecimento. Ok, também sou da geração da Cândida Branca Flor, mas isso fica para outra oportunidade – até porque todos temos um passado. 

A primeira vez que me recordo de ouvir Queen, assim de uma forma exaustiva, foi numa “pseuda” viagem de finalistas a Mérida, no 7.º ano. Muitas das músicas ficavam no ouvido pelos refrões e pela batida (apesar de já conhecer algumas), porque embora já tivesse aulas de inglês desde o 5.º ano, a verdade é que nunca fui um especialista na "coisa", até porque, falando de línguas, sempre preferi a francesa, mesmo que nunca tenha tocado piano, nem tenha sido um gato maltês. Aliás, nem gato, quanto mais maltês. 

A verdade é que as músicas dos Queen, soavam sempre a um toque de modernidade que o Portugal de então, resistia em adquirir. Falavam de coisas simples, que nos permitiam transportar para fora deste país fechado sobre si, fazendo com que vivêssemos outras vidas mais abertas aos estímulos exteriores. Mais modernos. Com menos amarras. Aliás, quem não se lembra da mítica música dos Jogos Olímpicos de Barcelona? Para um puto de 12 anos, que nunca tinha saído de Portugal, a não ser para comprar caramelos a Badajoz, viu aqui uma ferramenta fantástica para conhecer o mundo, mesmo depois da morte do Freddie Mercury

Portanto, na quinta-feira passada (7 de junho de 2018), reviveu-se um passado que parecia já muito distante. Repescaram-se memórias antigas (boas e más) e cantou-se a plenos pulmões. Bateram-se muitas palmas, deram-se muitos saltos e muitos passos de dança. 

Créditos: Piolhito Nervoso

Relembrou-se tanta coisa, mas nunca nos podemos esquecer que seremos sempre campeões ("We Are the Champions"), que teremos sempre amores e desamores ("Love of my Life"), mas que o truque é nunca parar ("Don't Stop Me Now") porque seremos sempre boémios pela vida ("Bohemian Rhapsody") – e tantos outros êxitos ali tocados e cantados. E para que a viagem ao passado fosse o mais fiel possível, obviamente que se utilizou o inglês de outros tempos, com um “na ni na mi mo“ para colmatar a ausência de memória, em algumas partes das letras, porque algumas músicas teimavam a querer ser revividas. 

Créditos: Piolhito Nervoso

E não pensem aqueles que “ah e tal, o Adam não é o Freddie”, que o concerto deixa de ser menor por isso. Não. Muito pelo contrário, o Adam não é o Freddie (e ele disse-o com toda a convicção na quinta-feira que não o era, nem pretendia ser) porque o objetivo ali, é essencialmente, homenagear Freddie Mercury e todos aqueles que por um motivo, ou outro, sempre se sentiram próximos dos Queen, das suas músicas e das sensações que elas transmitem. E sim, foi uma noite inesquecível.

Créditos: Piolhito Nervoso


4 comentários:

  1. Fantástico! Parabéns

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  2. Muitos Parabéns, Sr. Piolhito:) Adorei! ainda não li tudo mas estou muito curiosa para o fazer. O teu sentido estético não se ficou só pelos projectos, também está bem patente na tua escrita inteligente e divertida!
    Continua!

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    1. Muito obrigado cara Alexandra <3 Vamos ver no que dá :P ahahaha Beijinhos

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