O Piolhito está [agradecido]

Quando me falam em milagres, fico logo todo eriçado. Tipo, não é coisa que acredite muito, até porque na minha vida, milagre, milagre, foi ter nascido. Mas como a maioria dos portugueses, fui educado através de umas amarras católicas, onde a primeira comunhão (no meu caso) foi arrancada a ferros. Ainda me lembro hoje, como me convenceram a ir para a catequese. Tipo, “vais ter com os teus amigos e brincar” dizia a minha avó Margarida. E eu, um gajo completamente crédulo na altura (característica que atualmente ainda mantenho, cof cof cof), fui. Confesso que a brincadeira esperada não foi aquela que encontrei, e que o aviso da catequista “de que se não estudarem na escola, depois não vale a pena pedir a Deus por um milagre nos testes” me deixaram bastante desconfiado. 

Portanto, com o meu crescimento (e com as vicissitudes da vida), onde a pessoa em determinadas alturas espera um milagre para resolver coisas impossíveis, e percebe que isso não acontece (nem vai acontecer), deixa de acreditar. Começa a desligar destas coisas do além e da vontade divina. E aquela coisa muito judaico-cristã, de que um dia tudo vai fazer sentido, que tudo acontece por um motivo e que um milagre vai acontecer só porque sim, ter cuidado com o pecado e mais não sei o quê porque vamos parar ao inferno, já não funciona para minha pessoa. Aliás, no inferno já estamos nós. E que me desculpem os crentes por este desabafo tão herege. 

Assim, quando me perguntam se acredito em milagres, respondo convictamente que não. Não. Nem pensar. Mas por vezes presenciamos coisas que nos fazem questionar muita coisa. Tipo, podemos duvidar a todo o tempo, mas quando vemos algo excecional acontecer, uma pessoa vacila. É impossível não vacilar. Como é que é possível, que doze miúdos e o seu treinador de futebol tenham ficado presos numa gruta, a 4 quilómetros da sua entrada, na longínqua Tailândia, terem sido descobertos passados não-sei-quantos-dias, vivos, e terem sido salvos por mergulhadores? É que isto se for mesmo um milagre, e couber na definição lata do seu termo, já estou disponível para voltar a acreditar. Caramba, se isto não é algo do género, não sei o que será.

Sem comentários:

Enviar um comentário