O Piolhito foi [ver o Mamma Mia]

Não querendo perder a oportunidade (como acontece com muitos filmes que quero ir ver ao cinema e depois nunca vou), um dia após a estreia, fui assistir ao “novo” Mamma Mia, agora com o subtítulo “Here We Go Again”, ou seja, “apertem os cintos que a malta vai começar a cantar no cinema”.

Tirando o facto de algumas das personagens terem simplesmente desaparecido do mapa (e mais não digo, senão ainda me acusam de “spoiler”) e do filme ter sido gravado na Croácia (e não na Grécia), estamos perante um novo capítulo do revivalismo do fenómeno “ABBA”. Tipo, é simplesmente incrível, que uma banda Sueca, que ganhou a Eurovisão em 1979 (sim, em mil novecentos e setenta e nove - e as pessoas nascidas em mil novecentos e O-I-T-E-N-T-A, não são idosas, ok?) continue a agregar diferentes gerações nos dias de hoje.

Sobre o filme em si, posso dizer que o achei um pouco mais triste que o primeiro, mas acho que também não podia ter sido feito de outra forma, porque o foco são os anos de rebeldia da Donna, a separação do Sam e o nascimento da Sophie. E embora tenha sido tudo contado um b-o-c-a-d-i-n-h-o a “correr”, ficamos com uma pequena ideia da cronologia dos factos, já avançada no primeiro filme. E como não podia deixar de ser, à semelhança da película de há dez anos, além da recorrente musicalidade “ABBA”, a aposta no humor, tornou-se fundamental para contar toda uma história, que se amarra nas desilusões amorosas típicas de algumas faixas etárias e na resiliência em querer encontrar a felicidade e a realização pessoal. A personagem do "senhor daportagem dos barcos" está genial (e não envelheceu nada!).  

Em relação às as músicas utilizadas na banda sonora, apesar de termos alguns êxitos repetentes (“Mamma Mia” e “Dancing Queen”), são apresentadas algumas “estreias”. Adorei a interpretação do “Andante, Andante” e do “Knowing Me, Knowing You”, mas o meu momento favorito do filme é sem dúvida “Angel Eyes”, porque o despique inicial da Christine Baranski e da Julie Walters é impagável. A Cher (pelo menos as partes do corpo que ainda estão vivas) não esteve mal com o Andy Garcia, mas aquele “Fernando” transportou-me para uma cena qualquer na Espanha Andaluza e para um “Eh toiro, lindoooooo!” – desculpa PAN, mas foi o que me lembrou. Ah, e para todos aqueles que se “desmoronam” no cinema, porque se lembram de episódios reais das suas vidas, porque já passaram por momentos semelhantes… cuidado com o "I’ve been waiting for you". Depois não digam que não avisei. Vão preparados ou levem lenços de papel. 

No final da coisa, e apesar de tudo, acho que fica uma sensação de nostalgia em bom, para os mais velhos, sendo que para os mais novos, a ânsia de querer mais da vida. Quem não ficou com inveja do 1979 da Donna e da sua fuga para a Grécia? Eu fiquei. Bem sei que a vida não é um musical, mas para dramas já basta a vida real. Ah, e agora surge uma pergunta sacramental: 

Para quando um filme (ou um musical) com o reportório das Doce? Hum? Hum? É que já me estou a ver a cantar o “Amanhã de manhã” no cinema (ou no teatro). 



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