O Piolhito acha [que as pessoas têm muito tempo livre]

Vamos lá ao assunto do momento: a Cristina Ferreira e a Princesa Diana. Bom, antes de tudo, tenho que redigir uma pequena declaração de interesses: não sou fã da Cristina, não fui pago por ela (logo, esta não é uma publicação comercial), não sou advogado de defesa de ninguém, não sou amigo (nem familiar), não sou seu funcionário nem pertenço ao seu staff (logo não preciso de dar graxa) e não. Não pretendo ganhar nada com isto. Com ela, partilho apenas o facto de ser saloio (desconfiado, mas quando se quebram todas as barreiras temos uma amizade para a vida) e de dizer as coisas, quando se considera oportuno dizê-las (e sem fretes). Quando se gosta, gosta, e quando não se gosta, não se gosta. Mesmo quando me dizem que tenho “mau-feitio” e que ninguém querer trabalhar comigo (o que até é mentira).

Após este breve introito, confesso que não percebo a revolta (e a histeria) de tanta gente, até porque – apesar da infeliz comparação – todos percebemos onde a moça queria chegar. Ao contrário do cantado pela Carolina Deslandes, a parceria televisiva da Cristina Ferreira e do Manuel Luís Goucha não “foi para a vida toda”. Aliás, muita gente já havia percebido que era inevitável este desfecho (nem que fosse pela questão etária) e que mais tarde ou mais cedo, isto acabaria por acontecer. Portanto, uma amiga da Cristina (nem sequer foi ela própria) arranjou uma verdade paralela, que apesar de estar a anos-luz da situação real, conseguiu o seu propósito: explicar o que alguns sentiram. Ou seja, não sejam totós, porque objetivo não foi comparar-se a ninguém, mas tentar desconstruir aquilo que se sentia. O que alguns sentiram.    

E não sendo já de si, esta situação caricata, ainda se junta o facto de “ela ir ganhar demais”. Mas o que é “ganhar demais”? É comparativamente ao universo televisivo português? É em relação a um cantoneiro que é funcionário público (que muitos afirmam que ganham muito e que há funcionários públicos a mais)? É colocando, lado a lado, uma pessoa que ganha o ordenado mínimo? Não percebo. A sério que não percebo, até porque ninguém se indigna com os ordenados dos administradores da EDP ou de um qualquer futebolista que ganha milhões de euros por ano. Considero que se uma pessoa, empresa ou administração, paga um determinado vencimento, é porque esperam retorno desse investimento, sabendo que é uma escolha em matéria de recursos humanos, consciente.

Quando a Cristina Ferreira ganhava 500 euros ninguém se rebelou, mas quando escreveram que ela, alegadamente, iria receber 80 mil euros por mês, toda a gente achou que iria “ganhar demais”. O caricato disto tudo, é que ninguém efetivamente conhece as clausulas contratuais e, portanto, vive-se no “diz-que-disse” e na “cusquice especulativa” de quem gosta de dar uso à sua tradição judaico-cristã. Caríssimos, é uma empresa privada que resolveu fazer um investimento a médio-longo prazo. Assim, é esperar para ver, sabendo que competirá aos acionistas realizar a avaliação dessa “jogada”. Além de que, com toda a certeza do mundo, se estivéssemos a falar de um ordenado de um homem, essa questão nem se colocaria.

Já agora, aparentemente, o Fernando Mendes irá ganhar 20 mil euros por mês… na RTP (bendita sois vós taxa audiovisual entre as taxas). Bom, ninguém se queixou? Não? E agora? Já chegámos? Haja burros do Shrek para todos.



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