O Piolhito está [a pensar na vida]

Mais tarde ou mais cedo na vida, acabamos por questionar muita coisa. Muitas pessoas. Muitas decisões. Muito tudo. As prioridades alteram-se e verificamos que tudo aquilo que tínhamos organizado, escalonado e pensado, de nada serve quando somos apresentados a factos que não dependem de nós (e que não queríamos de todo). Apenas conseguimos minimizar os estragos e tentar dar a volta por cima. Parece um cliché, mas não deixa de ser verdade quando se diz “deixem-se de merdas e aproveitem a vida”. É pah, temos que rir, sorrir, gargalhar e lutar sempre até ao último instante, deixando de lado os assuntos tóxicos, os problemas tóxicos e fundamentalmente: as pessoas tóxicas.

Com o avançar da idade, o nosso corpo muda (é uma inevitabilidade) e vai deixando de corresponder àquilo que queremos (ou pretendemos) fazer. Começam a existir limites físicos e as maleitas começam a aparecer. Com quase quarenta, vejo que o meu corpo já não reage como reagia aos vinte, certos alimentos já não são processados da mesma forma, e aquela inveja que provocávamos em terceiros, porque comíamos tudo e não engordávamos, desapareceu. Quando sofremos episódios mais graves, como por exemplo uma paralisia no braço esquerdo, e vamos de INEM para o hospital, não podemos ficar com a ilusão de que tudo vai ficar igual ao que era, e que a recuperação nos vai colocar a 100%. Pois não vai. E no meu caso não foi. O meu braço não voltou a ser o que era.

Portanto, a vida vai ensinando-nos a ter mais calma (ou pelo menos repetimos isto interiormente, vezes sem fim) em determinados assuntos e situações. O avançar do tempo vai criar-nos macaquinhos na cabeça, mas faz-nos amar mais. Sentir mais. Apreciar mais. E se tivermos cuidado, não deixaremos que a revolta nos invada e nos governe. Temos que fazer as coisas que mais gostamos, voltar a ver pessoas que não víamos há anos (mas que ainda faz sentido ter no nosso percurso) e perder medos. Medo de agradar, medo de ser inconveniente e medo de ser exigente.  

Créditos: Piolhito Nervoso



A sabedoria popular do “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” torna-se o mantra inevitável para quem quer continuar a viver, para quem quer continuar a sonhar e para quem quer mudar o mundo. 



Sem comentários:

Enviar um comentário