O Piolhito esteve [a pesquisar voos]


Ainda sou do tempo (fica sempre bem começar um texto assim, quando queremos dar uma de paternalista), que viajar por via aérea, era um privilégio dos mais abastados (ou de um grupo restrito de pessoas). Em Portugal, e para quem nasceu nas décadas de 70 e 80 do século passado, sabe, que era raro ter algum amigo ou familiar próximo que tivesse andado de avião até ao início da década de 90 – nem uma vez, quando mais repetir. Com a evolução da sociedade portuguesa, que adquiriu um maior poder de compra, e com a descida dos preços dos bilhetes, existiu uma certa democratização da "coisa". A minha estreia só ocorreu em 2006, na viagem Lisboa-Bilbau, pela Iberia. Depois, bom, depois já sabemos, apareceram as “low cost” em Portugal e foi um "ver-se-te-avias".  


O melhor negócio que fiz até hoje, falando em “comércio avionês”, foi ter comprado uma viagem internacional entre Lisboa e Madrid (e consequente volta) por 27 euros pela Easyjet. Dentro do país, já voei entre Lisboa e o Porto (e vice-versa) por 19,90€. Nunca consegui aquelas cenas fantásticas que alguns se gabam, de ter comprado bilhetes a 2 euros, coiso e tal. Devo ter muito “tapadinho” nestas coisas, mas a verdade é que nunca o consegui fazer. Se querem algo em conta, têm de prescindir de alguma “mordomia” e então há que deixar ficar em terra a maior parte da roupa que sempre levamos, mas não usamos. E se ao início desta coisa das viagens baratas, havia algum discernimento na questão da bagagem, algum tempo depois "esqueçam lá isso".  Ah e tal, olha esta malinha tão pequena, que só tem mais 1.5cm do que devia, e se todos os outros "toinos" cumprirem menos eu,  a minha mala cabe na boa e ainda consigo levar mais esta “pochete” linda para guardar o meu CC (Cartão do Cidadão) com cara de gatuno de melões.  

É claro que algo haveria de ser feito para controlar os chicos-espertos, porque as empresas são de baixo custo, mas não são a Segurança Social, nem a Santa Casa da Misericórdia e não estão cá para perder dinheiro. E se a Easyjet já era bastante rigorosa com o tamanho da bagagem (embora problemas, problemas, tenha tido com a Transavia), a Ryanair não vai de modas: o que era grátis, acabou. Agora pagamos a bagagem pequena, pagamos os lugares (para não ir a família toda separada), pagamos para o embarque prioritário (se uma pessoa precisa mesmo de ser o primeiro a sair do avião por causa de algum compromisso) e pagamos a comida. Ok, ok, muitas destas coisas já eram cobradas, mas a verdade é que a malta se sujeitava porque “era mais barato” e como era só umas horas, valia a pena. 

A partir do momento que me começaram a fragmentar a localização das pessoas dentro do avião, comecei a torcer o nariz, mas comecei a comprar (sem bufar muito) os lugares. Tipo, não fazia sentido nenhum fazer uma viagem de grupo, com um à janela, outro, duas filas mais à frente, outro no porão, outro em pé e outro a servir café para garantir que embarcava. Mesmo assim, achava que compensava, porque se querem comidinha e cafezinho, paguem. Mas hoje, com as políticas restritivas cada vez maiores, por parte das grandes companhias de avião de baixo custo (e referencio a Easyjet e a Ryanair porque é uma realidade que conheço melhor) uma pessoa pensa duas vezes. Porque haveremos de ficar condicionados nos horários, privados da comida e irmos todos encolhidos (sujeitos a uma lesão muscular), se a diferença entre as low cost e as outras for mínima? Valerá a pena? #valeapenapensarnisto #oceanopacificoRFM #sóosmaisidososentenderão

Então resolvi fazer um exercício muito simples: comparei tarifas para uma viagem a Paris, com saída a quinta-feira 1 de novembro (feriado), e volta no domingo 4 de novembro, com a flexibilidade de antecipar um dia antes a ida e prolongar por mais um dia o regresso. Obviamente, que comprar uma viagem em cima da hora (novembro está aí ao virar da esquina), e num fim-de-semana com feriado, irá encarecer este mini “estudo”, mas essa condicionante é igual para todas as companhias. Ah, e escolhi as tarifas mais baratas que encontrei. Vamos lá então, à pesquisa:


TAP - Transportes Aéreos Portugueses 
Ida:
Outubro, 31 | 19:40 Lisboa »»»»»» 23:05 Paris 161.91€ (último voo da manhã)
Volta:
Novembro, 4 | 20:35 Paris »»»»»» 22:00 Lisboa 198.70€ (último voo da noite)
TOTAL: 
370.61€
Inclui:
Bagagem de mão de 10 kg
Refeição
Condicionantes:
Não inclui mala de porão
Tarifa não é reembolsável, nem permite alterações


EASYJET
Ida:
Outubro, 31 | 17:00 Lisboa »»»»»» 20:40 Paris 170.25€ (único voo disponível)
Volta:
Novembro, 4 | 21:55 Paris »»»»»» 23:30 Lisboa 92.85€ (último voo da noite)
TOTAL: 
261.1€
TOTAL com escolha de lugares: 
274.58€
Inclui:
Uma mala de cabine de 56 x 45 x 25 cm (incluindo as pegas e as rodas)
Condicionantes:
Não inclui mala de porão
Não inclui refeição 
Tarifa não é reembolsável, nem permite alterações

  
RYANAIR:
Ida:
Novembro, 1 | 06:15 Lisboa »»»»»» 09:50 Paris 91.89€ (único voo disponível e a 31 de outubro o voo sai de madrugada, sendo que só seria opção se saísse de tarde/noite)
Volta:
Novembro, 4 | 10:15 Paris »»»»»» 11:45 Lisboa 27.53€ (único voo disponível)
TOTAL: 
119.42€
TOTAL com escolha de lugares, mala e embarque prioritário: 
131.42 €
Inclui:
Uma pequena mala (40 cm x 20 cm x 25 cm)
Condicionantes:
Não inclui mala de cabine igual à da Easyjet, a não ser que se pague.
Não inclui mala de porão
Não inclui refeição
Tarifa não é reembolsável, nem permite alterações


 
Assim, as principais conclusões são: 

>> Numa primeira análise, concluímos que, mesmo a pagar o transporte de malas, a Ryanair consegue ter preços mais em conta. Mas ficamos condicionados aos horários, o que numa viagem pequena, como por exemplo a Paris, acaba por prejudica os itinerários pensados. Por exemplo, neste caso, o domingo serviria só para regressar, e algumas atividades, que até poderiam ser realizadas durante a manhã, ficam fora do baralho porque o voo é muito cedo. Ainda pesquisei o regresso, um dia depois, mas para quem trabalhasse na segunda-feira, esta ideia não seria opção. Se tivesse que optar, ficaria entre a TAP e a Easeyjet.  
>> Embora sem mala de porão, a tarifa apresentada pela TAP é mais elevada que a da Easyjet, e a diferença substancial está na refeição (e eventualmente noutras pequenas mordomias que acho que não cobrem o diferencial). Talvez faça distinção no destino, dado que a TAP voa para Orly e a Easyjet para Paris Charles de Gaulle. 
>> Sobre a bagagem, e uma vez que as condições entre a Easyjet e a TAP são semelhantes neste ponto, ganha a primeira companhia considerando o preço final. Também uma mala de cabine para estes dias é mais do que suficiente. Nesta abordagem de malas, é de fugir da Ryanair. Mas se tivéssemos a falar de uma viagem de 5 dias, para um destino "frio", a questão da bagagem é fundamental e teria que ser equacionada a compra de "malas de porão".
>> O melhor horário de ida é sem dúvida o da TAP, já o da volta, pertence à Easyjet. Também aqui, me parece que a companhia irlandesa sai em desvantagem. 
>> Mas sejamos realistas, se comprarmos malas na Ryanair temos direito logo a cabeça o direito de levar duas, ainda temos embarque prioritário e poupamos no preço, comparativamente com as outros exemplos. O pior, na minha opinião é mesmo a questão dos horários. Mesmo a pagar mais, iria seleccionar como opção final, neste caso concreto, o oferecido pela Easeyjet - dado que a minha escolha pela Ryanair nos últimos anos, estava relacionada com a politica de malas de cabine, que era muito mais vantajosa que todas as outras companhias no mesmo segmento - o que está a deixar de ser.

>> Uma questão pertinente é o facto da TAP ter umas tarifas interessantes se quisermos alterar o bilhete por qualquer motivo, já no caso da Ryanair e a Easyjet vale mais comprar outros bilhetes.

Disclaimer:  
Obviamente que existirá sempre outra forma de fazer as coisas, e sites como o Rumbo ou a Edreams, colocam à nossa disposição outras alternativas, como fazer os voos de ida e volta em companhias diferentes, mas essa solução não permite uma análise comparativa tão evidente. O segredo é pesquisar (e muito) e ser flexível nas datas. Claro está, que se comprarmos com meses de antecedência, as tarifas irão ser sempre muito mais atrativas.   

 

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