O Piolhito fez [um roteiro de três dias para Atenas | com mapa]

O fascínio pelas civilizações do antigo Egipto, Grécia Antiga e Império Romano nasceu na escola preparatória. De lá para cá, sempre ficou nas minhas listas do “to do” viagens a estes universos mágicos, que testemunharam eventos marcantes que estudámos nas aulas de história – e mais tarde, no meu caso, nas aulas de história de arte, de arquitectura, de teoria e noutras tantas. Se digo que sou um bocado “medieval”, sem dúvida que sou muito egípcio, grego e romano. E tendo uma oportunidade de conhecer Atenas, não a desperdicei. E adorei! Não saí da grande metrópole para conhecer as redondezas (ficará para outra oportunidade), mas não fiquei com problemas de consciência. Foram 3 dias bem passados, cujo roteiro foi bastante similar àquele que aqui trago.

A primeira impressão com que fiquei de Atenas, foi que estava perante uma AUGI (Área Urbana de Génese Ilegal) gigante (defeitos de profissão). Depois, ao conhecer muitos dos seus cantos, percebi que estávamos perante uma amálgama de pedaços de história, que juntos, demonstravam as diversas civilizações e ocupações que esta polis sofreu ao longo dos séculos. Devidamente concentrados, estes testemunhos encontram-se relativamente perto uns dos outros, aliás como podemos observar espacialmente, no mapa que elaborei:



|Mapa com legenda para download aqui e impressão em folha formato A3 |13 MB |


Dia 1 
[1] Teatro de Dionísio e Odeão de Herodes Ático
[2] Acrópole
[3] Areopagus
[4] Museu da Acrópole 

Descansaram na noite anterior? Estão preparados para o exercício físico? Não? Agora não há nada a fazer! Sim? Então vamos a isso. Assim, para o primeiro dia em Atenas, logo pela "fresquinha", atacamos a Acrópole, mas antes ainda passamos pelo Teatro de Dionísio e o Odeão de Herodes Ático (tudo incluído no mesmo bilhete). Deixamos o Museu da Acrópole para a tarde. 


[1] Teatro de Dionisio e Odeão de Herodes Ático 

Na parte baixa, antes da subida até a Acrópole, escavado na rocha a sul, podemos visitar o Teatro de Dionísio, berço da tragédia grega. Foi o primeiro a ser construído em pedra pelos gregos, tendo sido ampliado pelos romanos, que o dotaram de 1700 lugares sentados. 


Créditos: Piolhito Nervoso

Créditos: Piolhito Nervoso

Mas preparem-se para a espectacularidade que vem a seguir: o Odeão de Herodes Ático. Este monumento romano, com capacidade para 5000 lugares sentados, ainda é utilizado nos dias de hoje. 

Créditos: Piolhito Nervoso


[2]  Acrópole

Após um ligeiro esforço (ou grande, depende da perspectiva), chegamos à Acrópole. Ou se preferirem, à “cidade alta”, traduzindo do grego para português. Aqui, além da função defensiva natural (está situada no cume de uma colina com 156 metros sobre o nível do mar), encontrávamos um lugar de culto (Pericles dotou-a de três templos e uma entrada monumental). 

Embora a maior parte das estruturas estejam em ruínas, ainda conseguimos observar o Propileu (portal para a parte sagrada da Acrópole), dotado de cinco portas de entrada, definido pelas suas colunas jónicas e dóricas.

Créditos: Piolhito Nervoso

Créditos: Piolhito Nervoso

Partenon era o templo principal de Atenas, realizado num estilo dórico, e cujo interior protegia uma colossal escultura da Atena Parthenos (feita de madeira, marfim e ouro, com doze metros de altura). Foi usado posteriormente como igreja, mesquita e arsenal, tendo ficado praticamente destruído no século XVII devido a uma explosão de pólvora.


Créditos: Piolhito Nervoso



Créditos: Piolhito Nervoso



O Erecteion, que era um templo jónico construído no lugar mais sagrado da Acrópole, (onde a deusa Atena fez florescer a primeira oliveira das terras gregas) é uma das imagens mais usadas nas aulas de história de arte e/ou arquitectura, e estar ali, diante desta peça arquitectónica foi como se os livros ganhassem vida. De facto, ver as coisas ao vivo tem logo outra dimensão. Um facto curioso, é que as estátuas do Erecteion, que se chamam cariátides (colunas que representam figuras femininas) são réplicas - as originais estão no Museu da Acrópole. 


Créditos: Piolhito Nervoso


Não esquecer ainda, no lado sul, de visitar o Templo de Atena Nike (construído para celebrar a vitória dos gregos sobre os persas na Batalha de Salamina). 



Dica: antes de sair do complexo desfrute da vista e tire as fotografias que quiser. É um dos melhores miradouros da cidade.


Podem comprar os bilhetes aqui, sendo que por 10€, têm acesso ao Teatro de Dionísio, Odeão de Herodes Ático e Acrópole, e por 30 €, além destes, conseguem ainda visitar outros cinco monumentos (tem uma validade de 5 dias).



[3]  Areopagus

Antes de descermos para almoçar e visitar o Museu, mesmo em frente à Acrópole, temos a colina Aeropagus. Contemple a vista, beba algo, recupere o fôlego e admire séculos de história. 

Créditos: Piolhito Nervoso


[4]  Museu da Acrópole 

Depois de um ligeiro descanso, está na hora de atacar o Museu da Acrópole. Aqui, podem encontrar uma colecção composta por inúmeras esculturas, estátuas, frisos e frontões, retirados de alguns monumentos, de forma a garantir a sua preservação (como por exemplo as famosas cariátides). E uma vez que o edifício que alberga o museu, foi construído sobre ruínas, ainda podemos observar in loco, através de um pavimento em vidro, esses vestígios, bem como os artefactos encontrados no local durante as escavações arqueológicas.

Créditos: Piolhito Nervoso



Dia 2 
[5] Ágora Antiga, Templo de Hefesto e arredores
[6] Praça Monastiraki
[7] Plaka


O dia anterior foi "puxado", não foi? Bom, hoje prometo que vamos mais devagar. Mas acordamos cedo na mesma... combinado? Sim? Ok, começamos então pela Ágora Antiga. 


[5] Ágora Antiga, Templo de Hefesto e arredores

Antigo coração da cidade de Atenas, a Ágora Antiga (denominada assim, para se diferenciar da romana) era o o ponto fulcral da vida social, política, comercial, judiciária, administrativa, religiosa e cultural ateniense. 

Vítima das sucessivas ocupações e presença de civilizações nesta área, o espaço da Ágora Antiga só voltou a ver a luz do dia, a partir de 1890, tendo-se demolido para o efeito, mais de 400 construções ali implantadas. De todo o núcleo, destaca-se, sem sombra de dúvida, a Stoa de Attalos, reconstruída nos anos 50 do século XX, e utilizada actualmente como núcleo museológico.


Créditos: Piolhito Nervos

Créditos: Piolhito Nervos

Ainda na área da Ágora podemos observar o Templo de Hefesto e a antiga igreja bizantina de Aghioi Apostoloi.


Créditos: Piolhito Nervoso

Créditos: Piolhito Nervoso

Créditos: Piolhito Nervoso


[6] Praça Monastiraki

Se há sítio onde fervilha autenticidade é aqui. A praça Monastiraki faz lembrar o período otomano e os bazares turcos. É o local certo para compras e para comer (jantei por aqui algumas vezes). Daqui consegue-se uma boa panorâmica da Acrópole - e fazer figuras parvas, como fiz. Existe ainda a possibilidade de visita da mesquita de Tsisdarakis.


Créditos: Piolhito Nervoso



[7] Plaka

O bairro mais interessante (e turístico) de Atenas é o "Plaka". Fica localizado mesmo na base da Acrópole e tem imensa oferta de restaurantes, bares, lojas e arte. Os vestígios da Ágora Romana ficam por aqui também. É sem dúvida um "must go and stay" e vale a pena perder-se nestas ruas pequenas, mas super autênticas. 


Créditos: Piolhito Nervoso

Créditos: Piolhito Nervoso



Dia 3 
[8] Monte Lycabettus
[9] Praça Syntagma e Parlamento
[10] Jardim Nacional
[11] Templo de Zeus
[12] Estádio Panathenaic


E o tempo passa a correr. Já estamos no nosso último dia em Atenas. Vamos aproveitar ao máximo e fazer com que todos os segundos contem.  

[8] Monte Lycabettus

Pela manhã, bem cedo, iniciamos a subida ao ponto mais alto da cidade. São 277 metros de altitude, que nos dão uma panorâmica fantástica, não só da Acrópole, como também de toda a cidade e... percebemos a dimensão gigante e orgânica desta metrópole. É uma vista espectacular de 360 graus, onde se pode visitar ainda, a capela de São Jorge. 

Existem duas formas de aceder ao topo: a pé ou de funicular. Como já sou um pouco idoso, optei por esta última. Além disso, poupei tempo.

Créditos: Piolhito Nervoso

Créditos: Piolhito Nervoso

Créditos: Piolhito Nervoso

Créditos: Piolhito Nervoso



[9] Praça Syntagma e Parlamento


Símbolo da crise de 2008, que assolou a Europa (pelas diversas manifestações aqui realizadas), a Praça Syntagma, junto ao Parlamento, é um dos pontos fulcrais da política grega. Aqui, além de se contemplar o edifício do Parlamento, pode-se assistir ainda ao render da guarda (que acontece de hora em hora).


Créditos: Piolhito Nervoso

Dica: Se a fome apertar, digira-se de imediato até à pastelaria Chatzis, que fica no fim da Praça Syntagma, na Rua Mitropoleos, e deliciem-se com as várias iguarias presentes. Eu comi um bolo espectacular (e com poucas calorias "cof cof cof"). #nãomeperguntemonomedobolosff

Créditos: Piolhito Nervoso


[10] Jardim Nacional

A caminho do templo de Zeus, a passagem pelo Jardim Nacional, é obrigatória. Este é o maior parque público de Atenas, sendo que no seu perímetro pode-se visitar ainda, o Zappeion (actualmente com a função de centro de convenções). 

Créditos: Piolhito Nervoso

Créditos: Piolhito Nervoso

Créditos: Piolhito Nervoso


[11] Templo de Zeus

Imponente, demonstrando o apogeu da civilização grega, temos o Templo de Zeus Olímpico, também conhecido por Olympeion, e que foi à época, uma das maiores estruturas do culto dedicado a este deus. Nos dias de hoje, encontramos apenas algumas colunas e partes da sua base. Nas imediações podemos ainda observar o Arco de Adriano. 

O bilhete da Acrópole (para quem o tiver adquirido) permite a entrada aqui. 

Créditos: Piolhito Nervoso
Créditos: Piolhito Nervoso
Créditos: Piolhito Nervoso


[12] Estádio Panathenaic

O início dos Jogos Olímpicos da nossa era, em 1896, aconteceu aqui. Este equipamento, em mármore branco, encontra-se construído sobre a implantação do local histórico onde se realizavam as Panteneas (celebrações religiosas que aconteciam anualmente e, dotadas de maior importância, a cada quatro anos) e sobre a memória do primeiro estádio aqui edificado, em madeira e inaugurado em 330 AC.     

Créditos: Piolhito Nervoso


Os bilhetes custam 5.00€ e não podem ser adquiridos ainda online, conforme podem comprovar aqui.



>>Como ir:
Avião, obviamente. Existem voos directos e consegue-se garantir bons preços nos bilhetes, se comprados antecipadamente. Existe sempre a hipótese do cruzeiro com escala em Atenas ou para os mais aventureiros: o Interail


>>Onde ficar:
Seja onde for... o mais central possível. Vão preparados, e mentalizados, porque o alojamento em Atenas não é tão em conta como se possa pensar. 

>>Onde comer: 
Sem dúvida no Bairro Plaka e na zona da Praça Monastiraki.  

>>Onde sair: 
A animação nocturna acontece na rua, com especial destaque para a zona da Praça Monastiraki e Praça Iroon. Um dos bares que conheci em Atenas, e que vale a pena a visita, chama-se MoMix Bar Kerameikos (Molecular Mixology) e transporta-nos para o universo mágico dos laboratórios e experiências - calma, que estamos a falar mesmo de bebidas alcoólicas. 

>>Mais dias em Atenas:
Se o objectivo for passar mais uns dias em Atenas, existe sempre a possibilidade de excursões pela periferia, podendo visitar a chamada Riviera de Atenas, Delfos ou Templo de Poseidon e Cabo Sunião. 


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