O Piolhito foi [ao Bastardo]


Aproveitando a promoção avançada pelo The Fork (que uso bastante, porque me permite fazer reservas sem ter que ligar e ficar horas infinitas em espera para que me atendam), rumei ao restaurante Bastardo com a condição de obter um desconto de 50% sobre a ementa, excluindo as bebidas. Só por ler os diferentes comentários no site, fiquei entusiasmado, e ao ver as imagens, salivei vezes sem fim, mas como tudo na vida, gosto de ter as minhas experiências e as minhas opiniões próprias bem fundamentadas. Ou seja, não tive outra alternativa do que aferir in loco a matéria. E como escrevia Beatriz Costa nas suas memórias: “isto não é como em Montachique, onde cada um mija com a sua?”.

O restaurante Bastardo fica localizado em Lisboa, na Rua da Betesga (mais propriamente no seu número três) e encontra-se inserido numa unidade hoteleira, estando alocado no piso 1. Os seus janelões enormes com vista para o Rossio e para a Rua Augusta conferem-lhe um ar romântico, de Boulevard parisiense, mas acolhedor. A decoração, moderna, aposta na diferença. Diversidade de cadeiras, de candeeiros e de mesas. 

Créditos: Piolhito Nervoso

Os pormenores são deliciosos (A-D-O-RO) e estão presentes não só na decoração, como na ementa ou na forma de servir aquilo que se solicita. O espaço dispõe ainda de um bar, com uma carta de “cocktails” e uma sugestão diária para quem quiser fazer um compasso de espera antes da refeição. Os empregados são atentos, simpáticos, solícitos e fazem sempre recomendações pertinentes (um especial agradecimento à Tânia). Devo dizer-vos, que pessoas como eu, formatadas na universidade para estarem atentas a tudo o que as rodeia, a situações que a maioria não repara e a pormenores, este espaço é o corolário de um divertimento genial que nos faz reviver as antigas aulas de projeto de arquitectura. 


Créditos: Piolhito Nervoso

A cozinha é contemporânea e da responsabilidade do Chef Renato Bonfim, reinventa alguns pratos conhecidos, trazendo consigo inspirações de muitas culturas, de todo o lado, servidas de forma a surpreender e a provocar nos clientes reações. A ementa está organizada de forma original (aliás em linha com todo o conceito) e temos a partida (entradas), lagarta (pratos principais) e a fugida (sobremesas). Mas vamos lá a uma análise mais pormenorizada do que aquilo verdadeiramente interessa. A gula, portanto.

>> Como entrada pedimos o “Couvert” [3.50€], que é constituído por brioche de batata, grissinis e pão alentejano (servidos numa “taça” de lego) acompanhados de manteiga de miso e húmus. Ainda não satisfeitos, pedimos também o “Novilho e Pinheiro” [13.50€], que é composto por tártaro de novilho, batata frita, fumo de pinheiro e foi só uma das melhores coisas que comi nos últimos dias. Meses. Anos. Recomendo, recomendo e volto a recomendar: é sem sombra de dúvidas um manjar dos deuses – e eu que até sou “esquisitinho” com a carne, para estar a dizer isto… é porque é mesmo algo do outro mundo.

Créditos: Piolhito Nervoso

>> Como oferta do restaurante, ainda provámos um caldo de inspiração singapurense, ligeiramente (muitooooooo) picante que estava divinal.

Créditos: Piolhito Nervoso

>> Para a “lagarta” houve duas escolhas: o "Bife Bastardo" [16.50€] e o "Malandrinho" [12.00€]. O primeiro, consiste basicamente numa interpretação do bife à “portuguesa”, e consta de uma peça de novilho, acompanhada de ovo, batatas fritas, presunto e manteiga de alho. A carne é de excelente qualidade desfaz-se na boca.

Créditos: Piolhito Nervoso

A segunda opção, um risotto de abóbora com espinafres, goji e azeite de trufa, não desilude em nada, resultando muito bem a fusão de sabores da abóbora e do parmesão que polvilha todo o prato. Ou marmita. Que o "Malandrinho" vem servido dentro de uma marmita metálica com uma tampa vermelha lembrando outros tempos.

Créditos: Piolhito Nervoso


>> Não é que estivesse com fome, ou que as quantidades servidas sejam diminutas (até porque nem o são), mas há sempre espaço para a sobremesa. E foi aqui que a coisa não correu assim fantasticamente bem – e não foi por falta de aviso da Tânia. Ou seja, resolvemos replicar o momento das entrevistas do Portugal Fashion onde questionavam sobre o Jair Bolsonaro que era apresentado como um estilista famoso, pedindo o Crème Brûlée [6.50€]. Mesmo depois de nos terem dito que era de matcha e nós acenarmos afirmativamente e convictamente com a cabeça, como se soubéssemos de que estaríamos a falar. Pessoalmente não recomendo, só porque é algo que não aprecio. E de Crème Brûlée tem apenas o nome.

Créditos: Piolhito Nervoso

A salvar a honra do convento, apareceu a segunda escolha: “Cacau”, ou seja, chocolate, granizado de laranja e cardamomo [8.00€], que estava delicioso. O granizado misturado com o chocolate, confere uma cremosidade espetacular a esta sobremesa, além de uma sensação refrescante. 


Créditos: Piolhito Nervoso

>> Para beber (e que não constava na redução de 50% sobre o preço do menu, conforme as condições da reserva) optou-se por uma água (que me salvou após a ingestão do caldo ofertado) e um vinho rosé fresco [22.00€] – que foi o interveniente mais caro neste festim.







Ficha técnica: 
Espaço/Ambiente: [meh] [não sei] [dá para o gasto] [bom] [genial] 
Serviço: [chamem a polícia] [ainda têm que aprender] [simpático] [bom] [excelente] 
Qualidade dos produtos: [de fugir] [escapa] [nham nham] [quero mais] [divinal] 
Preço: [€] [€€] [€€€] [€€€€] [€€€€€]
A voltar: [não] [talvez, mas não tão cedo] [a pensar nisso brevemente] [sim] [sim, oh sim] 


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