O Piolhito está [a tentar perceber o artigo 13.º]

Afinal, o que é o artigo 13.º? Assim, de grosso modo, podemos dizer que se trata da maior reforma sobre os direitos de autor na União Europeia desde 2001, onde muitos conseguem observar uma espécie de censura a conteúdos. Por exemplo, plataformas como o Youtube ou o Facebook, podem passar a ter mecanismos automáticos para impedir a publicação de imagens, ou vídeos, protegidos por direitos de autor. É chato? É! Se é justo a malta ganhar dinheiro com conteúdos produzidos por terceiros? Não. E para quem já sofreu na pele (como eu) a censura do Facebook ou Instagram, porque o Piolhito não era real, sabe até que ponto poderá chegar o cumprimento cego das novas regras, mas isso também competirá a quem gere (e possui) essas plataformas encontrar mecanismos que limitem ao máximo, o erro. Se tem um custo associado? Tem. Mas durante anos a fio quando era só lucro, não verificávamos estas preocupações.
  
É um assunto complexo e pode revolucionar (sem sombra de dúvida), a forma como vemos, e utilizamos, a Internet nos dias de hoje. Se por um lado, compreendo a renitência de alguns em ver o lado bom da coisa, por outro, tenho algumas limitações em concordar com o que se diz, quando se invocam os motivos contra o artigo 13.º (até porque ganhar dinheiro com conteúdos realizados por outros é fácil). E gigantes como a Google (dona do youtube) estão a sentir-se "apertadas" porque já perspectivam no horizonte multas pesadas e diminuição de lucros. Sim, porque ter um sistema capaz de implementar as novas directrizes, limitando o erro ao máximo, custa dinheiro.

Está claro, que o absurdo de se exigir direitos de autor sobre um vídeo que fazemos usando uma t-shirt com uma "marca", ou a uma partilha de um link, ou os famosos "memes" que utilizam imagens de filmes ou de figuras públicas, resulta de anos de abuso sobre a propriedade intelectual de terceiros (que muitos utilizam para proveito próprio). Aliás, muitos "youtubers" e "instagramers", arrecadaram durante anos milhares de euros, utilizando (acredito que algumas vezes inadvertidamente) materiais cuja licença intelectual não possuíam. Bem sei, que já está praticamente tudo inventado, e que a partilha é algo positivo, e que muitos utilizam, por exemplo, bancos de imagens livres de direito autorais, mas a questão nem passa por aí - julgo eu. Passa sim, pelo facto de muitos não quererem ter trabalho de construir conteúdos originais, próprios e criativos, e limitarem-se a utilizar comercialmente "as coisas dos outros". 

Podem acusar-me até, "mas também utilizas locais, como restaurantes, que não são teus" ou "mostras produtos que não vendes, nem representas", mas penso que estamos a falar de coisas diametralmente diferentes, até porque não assumo a autoria dos mesmos. Assumo sim, que os registos fotográficos foram tirados por mim, quando o são, e identifico todas as imagens com os devidos créditos, quando são de terceiros e devia ser sempre assim. Mas também já sofri no passado, noutros blogues, uma espécie de "roubo", onde textos escritos por mim, ganharam um novo autor. E isso, é profundamente errado. Eu sei que criar algo diferente, custa, e exige disponibilidade mental, mas é isso que torna diferenciador de tudo o resto.

Mas é um articulado excelente? Não. Tem algumas falhas e pode mesmo no limite, ser castrador de algumas liberdades que utilizamos de momento. Mas não deixa de ser verdade, é que os abusos perpetuados por uns, algum dia iam desenvolver anticorpos. E por uns, já se sabe, pagam os outros. Ou todos. Veremos no futuro, a aplicabilidade de tudo isto. Até lá, aguardemos.    



Sem comentários:

Enviar um comentário