O Piolhito justifica [porque adora o Natal]

Finalmente consegui comprar uma camisola de Natal que gostasse. Após uma luta (e busca) incessante, por tudo o que é centro comercial da cidade de Lisboa (e periferia), lá encontrei na Pull&Bear, algo de acordo com a minha personalidade (infantil, dirão as #invejosas). Se é preciso tanto? É. Porque adoro o Natal, porque gosto daquele cheiro a rabanadas acabadas de fazer, porque tenho imenso prazer em ofertar lembranças e porque tudo parece fazer sentido. Se é uma época hipócrita? Talvez seja. Mas não deixa de ser especial. Diferente. Redentora.  

Gosto desta altura do ano, não, pelas prendas, presentes, lembranças e afins, ou porque tenha uma família muito grande à volta da mesa, mas sim, porque me faz de novo acreditar nas pessoas, trazendo aquela inocência já perdida nos tempos de meninice. Quando era miúdo, o meu Natal sempre teve as presenças da Avó Maria, da Avó Glória e do Avô Luciano, dos meus pais, do meu irmão e a minha. Éramos poucos, e sentia (confesso), alguma inveja daquelas famílias que conseguiam reunir dezenas de pessoas. No meu caso particular, isso nunca foi possível. Talvez porque não tivesse destinado. Talvez porque as famílias são complicadas. Talvez porque nem todos os santos jogam uns com os outros. A verdade, é que a Avó Maria desapareceu quatro meses após ter completado 100 anos, em 2007 faleceu o Avô Luciano e depois a Avó Glória. E ficámos ainda menos na ceia de Natal. 

É verdade que nesta altura, também existe um pouco de tristeza, porque nos lembramos daqueles que já desapareceram, mas também um pouco de conforto porque recordamos, com muita saudade, quem partiu. Não melhora com o tempo (que não minimiza, mas que transforma a forma como se encaram as ausências), é certo, mas ajuda-nos a recordar muitos episódios felizes da nossa vida. Ao mesmo tempo que magoa, conforta. Ao mesmo tempo que é triste, deixa-nos com um sorriso dos momentos passados. Ao mesmo tempo que nos abala, dá-nos esperança. Para mim, o Natal é isto. É lembrar todos aqueles que nos fizeram, e fazem bem, que nos querem, que demonstram que fazemos parte das suas vidas. Estejam presentes ou ausentes por motivos de força maior.

Como se isso não fosse o bastante, esta quadra serve como desculpa perfeita para estar com todos aqueles que não conseguimos ver durante o ano. Bem sei, que quem quer arranja tempo, mas isso, nem sempre é uma premissa válida. Nem sempre a vontade gera o encontro, e nem sempre o querer vence a inércia. Portanto, é natural que durante o mês de dezembro, entre almoços, jantares, lanches e cafés, existam sempre uns minutos para dar um "Olá", para desejar umas "Boas Festas" e estar com quem nos afaga a alma. Muitas vezes não são precisas demasiadas palavras, basta um sorriso, um "como estás?" e um abraço, para que tudo volte a fazer sentido. Esta é, a época perfeita para reencontros. E não é hipocrisia, é oportunidade.

Portanto, para quem está desse lado, o que posso dizer é que aproveitem estes dias para mandar uma mensagem, ligar a alguém com quem já não falam há muito (mas que ainda faz todo o sentido ter na vossa vida), enviem postais ou e-mails, façam sinais de fumo, arranjem pombos-correio ou marquem encontros para ver (ou rever) todos aqueles que são importantes. Deste lado, aproveito esta publicação para vos desejar umas Boas Festas, especialmente um Feliz Natal - mesmo para quem não acredita muito na "coisa", ou que não seja (muito) cristão. E para os internacionais: um excelente Merry Christmas!


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