O Piolhito está [cheio de coisinhas no organismo]


Eu sou daqueles, que quando está muito calor, escreve no Facebook “que calor!”. Eu sou daqueles, que quando está frio escreve nas redes sociais “que briol!”. Também sou daqueles, que odeia o inverno e que preferia que esta estação durasse apenas até 25 de dezembro. Até nem era por mim, que sou gajo para aturar estas variações térmicas (cof cof cof), mas a minha renite (e sinusite) alérgica é que não gosta muito. E como se ressente, obriga-me a tomar anti-alérgicos em temporadas mais ou menos extensas, onde brinco muitas vezes onde está o "morto-vivo".  

Se há coisa que me custa no inverno, é ficar doente. E estar enfermo para mim, não é ter gripe ou uma constipação’zinha, mas sim, ter comichão nos olhos, no nariz, parecer a Fontana de Trevi a jorrar água como se não houvesse amanhã e gastar o stock dos lenços de papel do Continente, adquirir uma tosse irritativa e andar com uma voz rouca, que de sexy não tem nada. Se isto acontecesse uma vez por ano, até andava caladinho e pronto, a coisa dava-se, mas a verdade é que são várias as vezes que este estado de sítio me visita durante os 12 meses. E quando aperta o frio, mas propenso fico a isto. E depois, a cura só acontece com uma toma regular de anti-alérgicos, que me tiram a vontade de fazer o que quer que seja. Ou seja, demorei 19 dias do mês de fevereiro para voltar a escrever aqui. E de quem é a culpa? Quem é? Meus amigos, a resposta é só uma: é da Dona Renite Sinusite Alérgica Purificação dos Santos Mello y Cunha.

Também sou tão do povo, que tenho uma coisa básica. Podia ter algo mais chique, algo que provocasse a inveja a terceiros, mas não. Basta começar a dizer “renite” e a pessoas perdem logo o interesse. Às vezes, quando me sinto carente a precisar de atenção, digo que sofro de alergias – assim no geral, sem especificar muito. Por vezes, ainda consigo captar algum foco para os meus dramas, mas é sol de pouca dura, porque parece que qualquer pessoa sofre de uma qualquer alergia, de um qualquer tipo. Além do cartão do cidadão, parece que hoje em dia é obrigatório ter alguma alergia, a alguma coisa. Se morasse em Oeiras (ou Cascais), de certeza que seria alérgico ao glúten ou à lactose, e teria uma fala afectada, de som nasal. Mas não. Nada disso. Todo eu sou imune a essas coisas mais "in".   

Portanto, se conhecerem “mézinhas”, rezas, preces e macumbas, façam o favor de me ensinar. Expliquem-me, como posso curar esta patologia só com o poder da mente ou com o estalar de dedos, porque além de ser super cool, depois também conseguia fazer vídeos no YouTube todos catitas a vender a cena - tipo "cogumelo do tempo". Ah, também aceito donativos em dinheiro (o IBAN posso facultar por mensagem privada) ou em géneros (lenços de papel, comprimidos anti-alérgicos, anti-gripais, etc e tal), porque sofrer desta patologia é algo que não fica barato. Podia ser uma coisinha mais em conta, algo que me obrigasse a tomar apenas uns sais de fruta ou assim, mas não, tinha que ser algo dispendioso e pouco chique, que na luta com os velhotes à porta do centro de saúde, me atira para a base da pirâmide social das doenças.  

PS. Escolhi esta bela foto, para ilustrar esta bela publicação, porque não se consegue perceber que estou sem voz e sem capacidade de raciocínio rápido, mas cheio de tosse e com uma vontade enorme em me assoar.   





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