O Piolhito viu [a vitória do #conan no sábado passado]


Um dos assuntos do momento, é o vencedor do Festival da Canção 2019. É verdade, ganhou o #Conan. Da tia dele. E de mais algumas, considerando o voto popular que lhe garantiu a vitória absoluta no certame. Há quem adore, há quem apenas goste ou tolere, há quem torça o nariz e há quem odeie de morte. Da minha parte, só preciso saber que é o representante de Portugal em Telavive, para vestir a camisola e fazer uma “pseuda-campanha” pelas redes sociais. Vale o que vale, mas o Conan já não é o homem rã. Talvez uma divindade egípcia renascida. Ou apenas um miúdo do Cacém que queria compor música.   

Tenho de confessar que não morro de amores pela canção em si. Se consigo reconhecer mérito na composição musical (adoro a fusão de estilos, que faz nascer algo novo, diferenciador e arrojado), na parte da letra só consigo vislumbrar um pequeno tsunami. Já sei o que me vão dizer, “é pah”, troca o vocábulo “coração” pelos “telemóveis” e vais ver a luz a fundo do túnel. Bom, a única coisa que consigo observar, é efectivamente o comboio que vem na minha direcção, sem travões e cheio de vontade de me abalroar. Mas se os estrangeiros gostam, é o que realmente interessa. 

Também não podemos deixar de mencionar o bailarino que o acompanha, que muitos dizem que está a ter um AVC. Bom, eu já tive um “mini-AVC” e posso garantir-vos que não tem nada a ver. Não é assim tão glamoroso, não ficamos em “pontas” e não dançamos energicamente. Compreendo que alguns não achem piada, mas atenção, tudo isto faz parte do "número" e não se esqueçam nunca, que estamos a falar da Eurovisão. Ou seja, tudo pode acontecer. Até um bailarino que se "parte todo" quando ouve "escangalhar o telemóvel". 

Mas tudo isto, teve o mérito de me fazer pesquisar mais sobre o Conan Osíris, de modo a não ficar amarrado a partilhas inúteis no Facebook, que apenas tentam diminuir, humilhar, gozar e anular um artista. Apesar das letras das suas canções não serem dignas de se incluir no Plano Nacional de Leitura (e é só a minha opinião #valeoquevale), a genialidade da música merece destaque e logra ser ouvida com atenção. Destacam-se neste campo, as canções “Borrego” e “Celulitite”, do álbum “Adoro bolos”, que podem ouvir aqui - foquem-se na melodia e vão perceber do que falo. E se no ano passado ganhou uma “galinha” que falava de “bullying”, porque não pode ganhar este ano uns “telemóveis”, que falam de “saudade”? Pelo menos a melodia é francamente melhor.

E embora não tenhamos todos que gostar do mesmo, o respeito pela opinião alheia tem de continuar a existir. E não deixa de ser triste, ler comentários aos magotes, embrulhados em asneiras e insultos, que muita gente confunde com liberdade de expressão. Não, meus caros, isso não é expressar coisa nenhuma, é simplesmente ser mal-educado. E confesso que me custa um bocadinho, ler comentários de portugueses, que se dão ao trabalho de ir a vídeos alojados no Youtube, da música vencedora do Festival da Canção 2019, dizer mal do tema, do artista e do país… em inglês. Se não gostam, não gostam, mas não precisam de ser “trolls”. Ou como dizia o outro: “ou fodem, ou saem de cima".

E antes de finalizar e rematar esta modesta opinião, faço já uma declaração de interesses: as músicas que mais me agarraram foram as interpretadas pelo Matay (“Perfeito”) e pela Surma (“Pugna”). E com isto não quero dizer, que me vou desligar do mundo eurovisivo. Não. Muito pelo contrário. Afincadamente, irei apoiar a música escolhida pelo meu país até à sua prestação em Israel, ficando esta depois, em que lugar ficar, sendo que neste momento só podemos dizer: #conancomeles




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