O Piolhito está [com saudades]



Faria hoje 118 anos, se fosse viva. Acompanhou ao de leve a monarquia e viu crescer a República. Presenciou a entrada em cena do ditador António de Oliveira Salazar e sempre foi adepta da liberdade. Da vida. Da luta. Da capacidade de o ser humano vencer obstáculos. Da resiliência. Da vontade em querer ser mais, do que a condição que lhe foi imposta. De mulher. De mãe solteira. De chefe da família. De protagonista de trazer o pão para a mesa das refeições. Matou a fome a algumas pessoas, mesmo quando tinha pouco. Sempre se quis moderna, mesmo sabendo que a educação católica que recebeu a condicionava. Era uma mulher de esquerda (politicamente falando), mas não discriminava ninguém. Nasceu orgulhosamente em Meca (Alenquer), viveu em Lisboa, na zona saloia e morreu em casa, na sua cama, no seu quarto, no Cabeço de Montachique, concelho de Loures. Esperou chegar à centena, como que se fizesse questão de presentear a família, uma vez que todos falavam disso com orgulho.