O Piolhito está [a tentar desejar um excelente vinte-vinte]


Já diziam os nossos antepassados, que ano novo, vida nova, e apesar de estarmos apenas a passar de um dia para o outro, a barreira psicológica de deixar uma etapa para entrar num novo ciclo, empurra-nos para novas resoluções, novos objectivos e novas estratégias, que nos ajudem a crescer enquanto pessoas, provocando momentos de felicidade na nossa vida. Portanto, é neste período que ocorrem definições de todo o tipo e feitio, surgem as promessas de regressar aos treinos, de mudar de emprego, de querer ser mais e melhor, de deixar de complicar e viver mais intensamente, de tudo e mais alguma coisa, que demonstre ao mundo a nossa evidente mudança. Nestas alturas fazemos balanços, vemos o que ganhámos e perdemos, e pensamos em como poderemos corrigir certos acidentes de percurso, que nos desviaram de caminhos previamente traçados. No fundo, queremos demonstrar que nada é estanque e qualquer coisa poderá ser alterada.  

Mas mesmo cientes disso tudo, sabemos logo de antemão, que há coisas que não podemos mudar. Que há coisas que não dependem de nós e não estão nas nossas mãos, e que por mais vontade que tenhamos de modificar, não podemos fazer nada para minimizar essas circunstâncias, mesmo que estejamos embalados pela mudança do ano. Se no meu caso, profissionalmente falando, foi outro ano “meh”, em que continuo refém de estímulos externos que tendem a prender-me a um trabalho que não me satisfaz, e onde continuo na batalha diária de querer mudar de função, no plano pessoal, vi desaparecer um amigo num estúpido acidente de automóvel. Se a primeira condição depende de mim para sofrer alterações, a segunda é um facto consumado, sendo que por mais planos que elabore, nunca conseguirei mudar. Ficará para sempre no balanço das perdas. Mas pretendo apenas sublinhar o seguinte: devemos apenas focar as nossas energias naquilo que podemos projectar no futuro. Naquilo que a mudança dependa de nós. Naquilo que permita permutar contextos.

A verdade é que não importa o destino, mas sim o caminho. Não importa a desistência, mas a resiliência que nos impele a recomeçar, quando percebemos que a “coisa” não está a ir na direcção certa. Não faz mal falhar. Faz mal, sim, assumir essa falha sem dar luta. Sem mostrar a nossa verdadeira força. Sem dar a oportunidade de emendar a mão. O erro não está em querer fazer tudo - e ser tudo - mas sim, no esmorecimento que nos penetra na pele, nos dias seguintes ao primeiro de Janeiro. Há que ter realista nos objectivos traçados e verificar efectivamente aquilo que temos condições de concretizar. Já dizia Mies van der Rohe “o menos é mais”. E embora a passagem de um dia para o outro, possa não representar grande de coisa, uma mudança de ano, poderá significar muito, porque poderá ser o estímulo certo que nos levará a deixar a inércia para reagirmos. Porque por vezes só precisamos de um clique para nos transformarmos. Para renascermos perante o mundo. Para sermos felizes.  

Bem-vindos a uma nova década! 

Que tenham um excelente vinte-vinte, cheio de sucessos.


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